quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Ambiente: risco ou oportunidade?

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Acordos para impedir as mudanças climáticas são uma ameaça ao crescimento econômico, mas também podem trazer muitas oportunidades para o Brasil, um país com matriz energética limpa
e mais eficienteproduto de etanol do mundo

Por Paulo Silva Pinto
A mistura de etanol à gasolina, algo que já é feito há décadas no Brasil, começou recentemente a ser feito nos Estados Unidos. Agora, a proporção vai aumentar de 10% para 15%. Com o imenso tamanho do consumo norte-americano de combustível, isso significa demanda adicional de 25 bilhões de litros de etanol, o equivalente à produção brasileira. Para o presidente da União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica), esse exemplo simboliza as oportunidades que o Brasil terá caso os acordos para reduzir a emissão de gases responsáveis por mudança climática resultem em normas ambientais mais rígidas. "A hipótese que eu apresento é de que o Brasil tem mais a ganhar do que a perder com a economia de baixo carbono. Somos muito diferentes da Índia e da China", disse Jank no lançamento do Observatório da Indústria, que foi criado na quinta-feira, dia 21 de outubro, no escritório da CNI em São Paulo. O Observatório se dedicará à reflexão sistematizada sobre as trajetórias de longo prazo da produção industrial brasileira e global, incluindo tanto o que está em andamento quanto as perspectivas de médio e longo prazo, promovendo seminários e estudos com esse foco, sob viés da macroeconomia, microeconomia, mercado de trabalho, regulações e políticas sociais, entre outros temas. O presidente da Unica sugeriu que a economia de baixo carbono seja um desses temas. Jank destacou o fato de que a matriz energética é uma das mais limpas do mundo, com 46% de participação de fontes renováveis. A média dos países mais ricos do mundo (os integrandes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, OCDE) é de apenas 6%. A média mundial é o dobro disso, ainda assim muito distante do que se vê no Brasil. Mas Jank afirmou que essa liderança brasileira pode ficar para trás se os preços do petróleo caírem, o que poderá levar, no médio prazo, a usar a produção do pré-sal inteiramente em vez de exportá-la. O petróleo do pré-sal, que começa a ser explorado agora, deverá começar a chegar ao mercado dentro de seis anos. Jank lembrou também que os investimentos em usinas termelétricas depois do racionamento de energia em 2001 piorou a matriz energética brasileira. Com o aquecimento econômico dos últimos anos, as usinas tem sido utilizadas de forma intensa. "Não temos tido ficha limpa nesses anos", criticou o presdente da Unica. Para a o aproveitamento das oportunidades da economia de baixo carbono, Jank também considera necessário que o Brasil reduza o desmatamento, algo que atualmente se sobrepõe à imagem do país de liderança na matriz energética e na produção de biocombustíveis. Para fazer isso, afirmou o presidente da Única, é necessário resolver as questões de direito de propriedade na Amazônia e intensificar a fiscalização. Ele criticou o Código Florestal brasileiro, que exige 80% de reserva de matas nativas nas propriedades rurais da Amazônia, o que exigirá, em muitos casos a recomposição da floresta original. "Isso inviabiliza as propriedades economicamente. Além disso, significa uma mudança de regra, pois quando esses agricultores foram para a Amazônia, não havia essa restrição. Ao contrário, o incentivo era para que desmatasssem tudo", disse Jank. Ele afirmou que a melhor maneira de garantir a preservação é criar grandes reservas florestais.

Fonte:
http://www.revistaindustriabrasileira.com.br/temas/view/357
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