quarta-feira, 11 de abril de 2018

AVALIAÇÃO DOS RISCOS FÍSICOS EM UMA INDÚSTRIA DE CALÇADOS NO MUNICÍPIO DE CAMPINA GRANDE- PB

Este aqui é um trabalho que eu publiquei em um evento à alguns anos


1.      Introdução

             A revolução industrial foi um marco no modo de vida da humanidade, no princípio as condições de trabalho eram inadequadas e desumanas, ocorriam vários acidentes de trabalho como também doenças ocupacionais relacionadas às atividades executadas pelos trabalhadores.  Estes trabalhadores eram constantemente submetidos a diversos riscos ambientais, sujeitos as condições inóspitas de calor, ventilação, umidade e ruído. Os operários revoltados com as precárias condições de trabalho e salário baixos, por sua vez, organizaram várias mobilizações grevistas, com o objetivo de reivindicar melhores condições de trabalho, com isso, resultaram nas primeiras leis trabalhistas.
            Saliba (2011) aborda que até no inicio da revolução industrial existem poucos relatos sobre acidentes e doenças provenientes do trabalho, resaltando que o trabalho era escravo ou manual. E que surgiu na Alemanha no ano de 1884 e no Brasil no ano de 1919 as primeiras leis garantindo direitos aos trabalhadores. No Brasil surgiu com o  decreto 3.724. Instituída a Lei n° 3.724, de 15 de janeiro de 1919, que torna obrigatório o seguro contra acidentes do trabalho em algumas atividades.
            A Consolidação das leis do trabalho – CLT surgiu durante o governo de Getulio Vargas em 1943 e na década de 1978 surgiram às normas regulamentadoras, sabe-se que durante vários anos estes dois documentos foram sendo acrescentados vários outros direitos e requisitos, garantindo mais direitos aos trabalhadores.
            Apesar das criações de várias leis que regulamentam as condições de trabalho, muitos empreendimentos não fazem uso e aplicação das normas regulamentadoras - NR, ocasionando uma exposição do trabalhador a acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
            Atualmente ainda existem empresas com ambiente de trabalho com condições insalubres. As condições do local devem ser favoráveis para que o bem estar do trabalhador seja preservado e sua saúde não seja prejudicada. Além disso, como consequência a empresa também sai perdendo se seus funcionários estiverem em condições desfavoráveis, pois seu rendimento ou produtividade certamente será baixo, já em boas condições há um melhor nível de satisfação dos mesmos, apresentando melhores resultados na produção.
            Apenas os resultados produtivos não são os únicos motivos para se avaliar as condições que os trabalhadores são submetidos. Trata-se de seres humanos e vidas, na qual não só o engenheiro de segurança do trabalho tem responsabilidade, como também a empresa. Deve-se ter muito cuidado ao expor a vida de outra pessoa ao risco, em postos que ofereçam periculosidade ou insalubridade. O grau de risco deve ser medido e avaliado para verificar se as condições de exposição estão adequadas até no máximo tolerável para que o trabalhador seja exposto com segurança, e não ofereça grandes danos a sua saúde física e mental.
            Os equipamentos também muitas vezes não tem o projeto adequado visando às condições do operador, e sim a função que ela vai exercer a partir daí se podem oferecer condições inadequadas ao tempo de exposição ocupacional ao ruído, calor e fatores ergonômicos. Segundo Fiedler (1995) as máquinas são, na maioria das vezes, importadas ou adaptadas de outras máquinas e de custos elevados, o que exige o máximo aproveitamento de todas as suas funções menos prezando, muitas vezes, as condições de trabalho, principalmente o homem que opera esta máquina, forçando-o a adaptar-se às condições da máquina relegando, desta maneira, os princípios ergonômicos.
            Embora as empresas estejam cientes deste fato, ainda sim expõem seus colaboradores a situações incomodas, porque para oferecer melhores condições, exige um custo que é visto como despesa desnecessária. Assim, a fim de defender e assegurar a saúde do trabalhador foi criado as NBR’s que é uma norma brasileira da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que estabelece padrões técnicos para garantir a proteção da vida humana, da saúde e do meio ambiente.
            Este trabalho foi  desenvolvido teve como objetivo verificar as condições de trabalho em uma indústria de calçados na cidade de Campina Grande-PB, avaliando os riscos físicos presentes na atividade estudada, fora avaliados e quantificados o calor, a iluminação e o ruído, nos setores de corte e costura.
 2.      riscos ambientais na INDÚSTRIA

            O risco sempre fez e faz parte do cotidiano do ser humano estimulando-o a conhecê-lo, desafiá-lo e em alguns casos até superá-lo. É certo que as formas de risco vêm sofrendo mutações com o decorrer da história. O homem pré-histórico, por exemplo, que tinha a caça como fonte de vida, corria riscos ao ser obrigado a conviver e enfrentar animais perigosos. Com o passar do tempo e com o desenvolvimento das condições de vida, os riscos foram adquirindo novas formas.
Um fato histórico que teve grandes consequências para a saúde do trabalhador foi a Industrialização, e isso se deu devido a grande preocupação por parte dos empresários em apenas obter lucros, proporcionando um ambiente de trabalho com condições inadequadas, como: exposição a agentes físicos, químicos, biológicos, em ambientes sujos, mal iluminados, com a utilização de máquinas desproporcionais e também expondo seus trabalhadores a longas jornadas gerando agressões constantes ao homem e meio ambiente.
Esse fato não ocorre somente por falta de legislação ou equipamentos de segurança adequados, mas sim pela falta de conscientização da responsabilidade que todos têm, trabalhadores, empresários e profissionais da área que devem ter no seu cotidiano espírito prevencionista como meta para evitar os acidentes e doenças ocupacionais.
A NR-9, item 9.1.5, que trata do PPRA, classifica riscos ambientais como agentes físicos, químicos e biológicos existentes no ambiente de trabalho que, em função da sua natureza, concentração ou intensidade e tempo de exposição, são capazes de causar danos à saúde do trabalhador.
            A NR define que os agentes físicos são as diversas formas de energia a que possam estar expostas os trabalhadores, tais como: ruído, vibrações, pressões anormais, temperaturas extremas, radiações ionizantes, radiações não ionizantes, bem como o infra-som e o ultra-som. Veremos a seguir sobre ruído, iluminância e calor mais detalhadamente. Segundo Mattos, Másculo ( 2011) os riscos físicos são:
“aqueles ocasionados por agentes que têm capacidade de modificar as características físicas do meio ambiente, que, no momento seguinte, causará agressões em quem estiver nele imenso”.
            Ainda segundo Mattos, Másculo (2011) caracteriza os riscos físicos como:
a)                  Exige um meio de transmissão (em geral no ar) para propagar a nocividade;
b)                  Agir mesmo sobre pessoas que não têm contato direto com a fonte de risco e
c)                  Ocasiona, em geral, lesões crônicas, mediatas.
            Os riscos físicos são efeitos gerados por máquinas, equipamentos e condições físicas, características do local de trabalho que podem causar prejuízos à saúde do trabalhador. No quadro 1 a seguir apresenta as consequências à exposição a estes agentes causadores.
Riscos Físicos
Consequências
Ruído
Cansaço, irritação, dores de cabeça, diminuição da audição, aumento da pressão arterial, problemas do aparelho digestivo, taquicardia e perigo de infarto.
Calor
Taquicardia, aumento de pulsação, cansaço, irritação, intermação (afecção orgânica produzida pelo calor), prostração térmica, choque térmico, fadiga térmica perturbações das funções digestivas, hipertensão, etc.
Iluminação
Maior fadiga visual e geral; maior risco de acidente, menor produtividade e qualidade, ambiente psicologicamente negativo.
Quadro 1: Consequências de cada agente causador do risco
            A iluminação não é considerada como um “agente agressivo” segundo a ótica da higiene ocupacional, mas podemos perceber que pode causar consequências graves. Iremos discutir sobre este tópico a seguir.

2.1    Ruído


            Para Iida (2005), fisicamente, define-se ruído como uma mistura complexa de diversas vibrações, medido em uma escala logarítmica, cuja unidade de medida é o decibel. A mesma autora ainda cita que uma definição de caráter mais operacional seria a de que o ruído é um estímulo auditivo que não contém informações úteis para se executar determinada tarefa.
            Caracterizado essencialmente por um som indesejado e incomodo (TLC, 1998). O barulho em uma rotina de trabalho, trás sérios riscos que vão atuando aos poucos afetando o aparelho auditivo do trabalhador gradativamente e sem reversão do quadro. Em muitos casos a empresa fornece o EPI para o controle deste fato, mais os próprios trabalhadores não usam, não tendo a noção do risco que estão correndo.
            O ruído constitui, atualmente, um dos riscos ocupacionais mais relevantes no meio industrial. Dada a sua estreita associação à incomodidade que provoca, é, geralmente, encarado numa perspectiva mais abrangente do que a será abordada ao longo deste trabalho, a qual privilegiará a vertente ocupacional (Arezes, 2002).
            Além da surdez, efeito este mais evidente do ruído sobre o trabalhador, o ruído pode contribuir ainda como, por exemplo: distúrbios gastrointestinais, distúrbios relacionados com o sistema nervoso humano (irritabilidade, nervosismos,  etc.), pode acelerar a pulsação, elevar a pressão arterial, contrair os vasos sanguíneos e provocar também outras alterações de acordo com a susceptibilidade de cada organismo (SALIBA, 2004).
            O quadro 2 a seguir apresenta os efeitos diretos e indiretos da exposição aos ruídos profissionais.
Direto
Surdez temporária requerendo recuperação
Surdez progressiva
Aumento cumulativo de penocidade
Distúrbio de atenção e de memória
Comunicações perturbadas
Isolamento profissional
Indireto
Estado geral
Aumento da sensação de fadiga
Ansiedade, agressividade
Perturbações do sono
Fisiológico
Hipertensão arterial
Vertigens
Problemas digestórios
Tensão muscular
Perda da imunidade das células auditivas
Vida social
Dificuldade de relacionamento e período de recuperação
Isolamento progressivo do circulo familiar
Quadro 2: efeitos diretos e indiretos da exposição aos ruídos profissionais.
Fonte: Mattos, Másculo 2011.
           
            Segundo Mattos, Másculo (2011) existem nos ambientes de trabalho uma superposição de sons e ruídos desejados ou não de diversas origens e algumas fontes distantes e outras de origem próxima e que acaba influenciando o ambiente.
            Para o controle ou eliminação do risco é  necessário entender que assim como para ambiente em que sofre com outros agentes, o  controle deve ser iniciado com a fonte, meio e depois com o receptor. Ou seja, Deve-se identificar a fonte geradora de ruído, buscar medidas para eliminar ou reduzir como, por exemplo: substituir a máquina por uma que rege menos ruído, realizar a manutenção preventiva, como medida para o meio de transmissão pode ser feito o enclausuramento da máquina evitando a propagação do ruído ou do ambiente.
            A norma regulamentadora que trata mais especificamente do ruído e da exposição dos trabalhadores a este agente é a NR-15 – Atividades e Operações Insalubres. Esta Norma Regulamentadora estabelece que o Limite de Tolerância seja a concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada com a natureza e com o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde do trabalhador. Segundo este conceito, a NR-15 estabelece estes limites de tolerância para o ruído em seus Anexos 1 e 2 (BRASIL, 2009).
            E por fim do receptor que pode ser retirar o individuo do ambiente poluído, ou utilização de equipamentos de proteção individual.
            Saliba (2004) considera que as medidas de controle do ruído podem ser classificadas basicamente em três formas distintas: controle na fonte, na trajetória e no homem. Atualmente pode-se constatar que, embora devam ser prioritárias, as medidas de controle na fonte e no meio, não são implementadas com grande frequência, seja por inviabilidade técnica, financeira ou até mesmo pela simples resistência ou desconhecimento por parte dos empregadores. Decorrente disto, grande parte das empresas adotam o EPI, ou seja, o protetor auricular como medida de controle do ruído, motivo pelo qual esta é a medida enfatizada neste trabalho.
            Sabe-se que o uso de equipamentos de proteção coletiva muitas vezes é a medida mais eficiente, mas podendo ser a menos viável para muitas empresas devido ao seu alto custo. Tornado assim o uso de equipamentos de proteção individual uma prática comum.

2.2    Iluminância


            Segundo Saliba (2011) ele apresente que foram desenvolvidas duas teorias sobre a natureza da luz.
a)                  A luz é constituída de variados comprimentos de ondas ou de partículas, que são os fótons, ou seja, ela tem comportamento ondulatório ou corpuscular, manifestando-se conforme o caso.
b)                 A luz é uma forma de energia radiante que se manifesta pela capacidade de produzir a sensação da visão. Para o estudo da iluminação, a teoria ondulatória é satisfeita para explicar seus diferentes fenômenos.
            Ainda segundo o autor ele divide a iluminação em dois tipos: Natural e artificial. A natural  é obtida por meio de aberturas que favorecem a entrada da luz natural, tais como: janelas, portas, claraboias, telhas translúcidas e etc. e artificial é obtida por meio de lâmpadas elétricas.
            A intensidade de luz no ambiente pode variar de acordo com a necessidade para cada posto de trabalho. A luminosidade deve ser adequada para tal função, nem de mais nem de menos. Geralmente as atividades que exigem uma boa iluminação como a direcionada, por exemplo, são as que exigem minuciosidade, precisão de movimentos, rapidez nos movimentos e nos pequenos detalhes. Este ainda sim deve ser monitorada que não seja em excesso, prejudicando a visão e as condições do trabalhador, e até mesmo seu desempenho e reflexos.
            Segundo Couto (1995), a iluminação adequada se constitui em um dos principais itens para o conforto humano, produtividade e qualidade de vida, razão por que se torna relevante que tanto o campo de trabalho quanto os mecanismos de acesso à máquina estejam devidamente iluminados.
            As medidas corretivas para obtiver uma iluminação adequada ao posto de trabalho são apresentadas a seguir:
a)                  Quantidade de iluminarias deve ser adequada para se obter o nível de iluminamento necessário. Esta quantidade é medida de acordo com cálculos de iluminação e analisando as condições ambientais, pois estes influenciam a iluminação. É importante também analisar que o arranjo físico ou layout pode influenciar de forma a aproveitar no máximo o fluxo iluminoso.
b)                  Distribuição e localização das iluminarias devem ser dispostas no ambiente de forma a proporcionar o máximo de utilização da capacidade instalada e assim proporcionar uma maior eficiência. Evitando assim o surgimento de sombras ou contrastes nos locais de operação.
c)                  Manutenção é essencial para a boa eficiência da iluminação, pois a falta de limpeza e substituição das lâmpadas.
d)                 Cores adequadas nas superfícies do ambiente são importantes como em paredes, móveis e teto. Proporcionando assim refletância adequada para o ambiente. Podemos analisar os níveis de refletância de algumas superfícies em que é apresentado no quadro 3 a seguir:
Superfície
Refletância recomentada
Teto
80%
Parede
60%
Mesas e bancadas
35%
Máquinas e equipamentos
25% a 35%
Piso
15%
Quadro 3: níveis de refletância em várias superfícies
Fonte: Saliba, 2011
           
            A refletância segundo o autor Saliba (2011) é definida refletância de uma superfície como sendo a percentagem de luz refletida, do total incidente sobre essa superfície.
e)                  Variação brusca do nível de iluminamento, a diferença acentuada entre níveis de iluminamento de dois locais de trabalho adjacentes pode ocasionar risco de acidentes.
f)                   Idade do trabalhador, com o aumento da idade  o trabalhador vai perdendo a acuidade visual e a percepção de pequenos detalhes, assim quanto maior a idade maior deve ser o nível de iluminamento.
g)                  Incidência direta de luz pode ser utilizada com janelas, claraboias, telhas translucidas, etc. de modo que elas devem ser dispostas de maneira que o sol não venha incidir diretamente sobre o posto trabalho. E assim, buscando aproveitar o máximo possível a iluminação natural.

2.3   Calor


            Ambientes quentes causam desconforto em qualquer circunstância, não apenas situações de trabalho, mais também no lazer ou outra ocasião. Como numa empresa o empregado é submetido a diversas condições, a norma regulamentadora NR-15 (anexo 3), estima limites para o nível de calor em que o trabalhado esta exposta, e quanto tempo o mesmo poderá atuar no ambiente.
            Saliba (2011) define que quando o trabalhador está exposto a uma ou várias fontes de calor, ocorrem as seguintes trocas térmicas entre o ambiente e o organismo, condução, radiação, evaporação e metabolismo.
            Na exposição ao calor existe existem vários fatores em que influenciam nas trocas de calor entre o corpo humano e o meio ambiente, sabendo-se que o corpo humano busca o equilíbrio homeotérmico. Estes fatores podem ser: temperatura do ar, umidade relativa do ar, velocidade do ar, calor radiante e o tipo de atividade.
            Os mecanismos de termorregulação ou equilíbrio homeotérmico do organismo têm como finalidade manter a temperatura interna do corpo constante, e é evidente que há um equilíbrio entre a quantidade de calor gerado no corpo e sua transmissão para o meio ambiente. A equação que descreve o estado de equilíbrio se denomina balanço térmico.
Onde:
M – calor produzido pelo metabolismo
C  - calor ganho ou perdido por condução – convecção
R  - calor ganho ou perdido por radiação
E  - calor perdido por evaporação
S  - calor acumulado no organismo (sobrecarga térmica)
            O organismo encontrar-se-á em equilíbrio térmico quando S for igual a zero.
            Aumentando-se a temperatura do ambiente, o estímulo aos receptores de frio na pele é reduzido, enquanto o estímulo aos receptores de calor é aumentado. Há um aumento concomitante na quantidade de sangue que flui através dos vasos cutâneos. Em climas quentes, esse aumento pode provocar um indesejável excesso de carga na circulação, com consequente desordem no sistema circulatório.
            A avaliação do calor a que um indivíduo está exposto é importante, envolvendo uma grande quantidade de fatores a serem considerados; a temperatura do corpo e as condições ambientais devem ser levantadas, pois influenciam nas trocas térmicas entre o corpo humano e o meio ambiente (SOUZA, 2003).
            Quando o clima no posto de trabalho é desconfortável, ocorrem indisposição e fadiga, diminuindo a eficiência e aumentando os riscos de acidentes, em virtude do calor ou mesmo da insolação excessiva em uma jornada de trabalho (Grandjean, 1982).
            Os efeitos do calor no organismo ocorrem quando a temperatura interna do corpo está elevada. Segundo Saliba (2011) “no organismo sujeito a uma sobrecarga térmica, várias reações fisiológicas ocorrem visando manter o equilíbrio, porém, essas reações provocam outras alterações que somadas podem resultar em distúrbios fisiológicos”.
            Existem quatro categorias principais de doenças decorrentes do calor: exaustão do calor, desidratação, câimbras de calor e choques térmicos (WELLS, 1993).
            A norma NBR 15 que trata de atividades e operações insalubres estabelece os limites de tolerância para exposição ao calor para  o índice de bulbo unido – termômetro de globo - IBUTG. Sendo assim, o calor é medido com o IBUTG, que pode ser obtido pelas equações em ambientes internos e externos com e sem carga solar.

            Onde; tbn = temperatura de bulbo unido natural; tg = temperatura de globo e tgs = temperatura de globo seco. Na figura 1 a baixo podemos analisar os limites de tolerância de acordo com a atividade ( leve, moderada ou pesada) e os tempos de descanso estabelecidos.

Figura 1: índice IBUTG obtido
Fonte: NBR 15 anexo 3, Ministério do trabalho e emprego
            Segundo a NBR 15 no anexo 3 cita que Os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais e a determinação do tipo de atividade (Leve, Moderada ou Pesada) é feita consultando-se o Quadro n.º 3. No quadro 3 do anexo apresenta a descrição da atividade e o gasto energético em Kcal/hora, classificando em leve, moderada e pesada.
   

3.      Metodologia

             Este trabalho utilizou como metodologia uma pesquisa exploratória a partir de um estudo de caso em uma indústria calçadista na cidade de Campina Grande-PB, no qual foram realizadas visitas no ambiente fabril e aplicados questionários com os funcionários, totalizando um universo de 32 trabalhadores. Os setores analisados foram o setor de corte e o setor de costura, a escolha desses ambientes baseou-se no tempo de permanência dos funcionários no local, e no tipo de tarefa realizada.
            Este trabalho foi dividido em três etapas; a primeira foi aplicação de um check list com objetivo de identificar os riscos físicos no ambiente de trabalho, contou também com registros fotográficos e entrevistas.
            A segunda etapa se deu com a aplicação de um segundo check list com o intuito de identificar se os trabalhadores fazem uso de EPI's e se conhecem a importância do mesmo para a sua saúde.
            Na ultima etapa foram realizadas medições quantitativas com o uso de instrumentos específicos e devidamente calibrados sendo estes Termo-Higro-Decibelímetro-Luxímetro - modelo HTLD -400 da marca Instrutherm e Anemômetro Digital Icel AN-4870.
            Essas medições foram realizadas para quantificar os agentes físicos especificamente o calor, ruído e iluminância, sendo assim foram medidos os níveis de temperatura de globo, Unidade relativa do ar, Velocidade do ar para a obtenção a sensação térmica, para ruído será medido a pressão sonora, obtendo assim o nível de pressão sonora - NPS, para iluminância será medido o lux. A avaliação e medições foram realizadas nos dias 22 a 26 de Abril de 2013, em vários horários da semana.

 4.      Objeto de estudo
             A fábrica de calçados objeto de estudo, foi fundada em outubro de 1998 esta localizada no bairro de Bodocongó na cidade de Campina Grande – Paraíba, conta com efetivo 32 de funcionários, donde são 3 funcionários no setor de corte e 6 funcionários no setor de costura.
            A empresa funciona em horário comercial das 08h00min ás 12h00min e 14h00min as 18h00min, com intervalo as 09h45min as 10h00min e às 15h45min as 16h00min e possui 32 funcionários na produção.
            A fábrica é de pequeno porte, onde os funcionários detém boa habilidade na realização de suas tarefas, os maquinários na sua maioria estão em boas condições, embora que necessitem de manutenção e pequenas modificações.  A produção é voltada para calçados infantis com design modernos, chamativos, bonitos, e que são vendidos em grande maioria para os estados de Pernambuco, Bahia, Sergipe, Para, Alagoas e Paraíba.
4.4. Processo Produtivo do Calçado
            Independente do tipo de calçado fabricado, os materiais envolvidos variam desde o couro de origem animal a materiais sintéticos (PVC, Poliuretano, Poliestireno, ABS, TR, EVA, borracha sintética, linhas, cordões e enfeites dos mais variados). Quanto ao processo produtivo do calçado, este compreende de forma geral as seguintes etapas:
·                     Modelagem: Etapa onde são realizadas as definições do calçado, como por exemplo, todas as suas características de modelos, dos materiais e acessórios a serem utilizados e escolha dos números ou tamanhos. As decisões tomadas nesta etapa do processo são: definição do projeto da fôrma (dimensões do calçado, material a ser utilizado e o custo), definição dos padrões para a fabricação de calçados (desenho do cabedal, palmilha, solados, saltos e detalhes), bem como as ferramentas necessárias (navalhas, matrizes dentre outros), o número de máquinas, trabalhadores necessários (em alguns casos, subcontratações) e as necessidades de material.
·                     Chanfro: Etapa onde se realiza a modelagem das bordas.
·                     Costura: União do couro com o forro.
·                     Mesa: Onde é realizado o processo de colagem, emassado e costura do calçado.
·                     Aparazado: Onde ocorre a retirada o excesso do forro após a costura.
·                     Revestimento das palmilhas: Reveste e cava a palmilha com emborrachado.
·                     Preparação dos solados: Limpeza e lixamento dos solados.
·                     Conformado e montagem: Conforma o traseiro que possui contraforte e bota a peça na forma, a montagem é o ato de reunir as diversas partes do calçado a partir da montagem do cabedal e da sola na fôrma.
·                     Lixamento: Retira o excesso de couro das bordas.
·                     Centralização do solado: União da peça e da forma com o solado.
·                     Prensa: Aparelho que realiza uma pressão para assim, solar o calçado.
·                     Pregos: Prendem o salto no solado.
·                     Acabamento: Nessa fase se procede à limpeza e retirada das linhas do calçado (verificação e conformidade) para só então retirar a fôrma do calçado, executar a inspeção final e finalizar com a embalagem do mesmo.

5.     Resultados          
            Durante a coleta de dados foi aplicado um cleck-list com o objetivo de analisar a opinião dos funcionários e as condições ambientais em que os funcionários estão submetidos. A média de idade é 40 anos. Para isso foram analisados 20 funcionários sendo 7 do sexo masculino e 13 do sexo feminino. Destes 6 tem mais de 5 anos de trabalho. Sabemos que o ruído é um agente em que pode causar a surdez e por consequência a labirintite, ou seja, tontura. Na figura 2 a seguir mostra o resultado da frequência para cada setor de acordo sintoma questionado.

Figura 2: Com que frequência você sente tontura?
            Nesta figura podemos analisar que em poucas vezes os funcionários sentiram tontura, e  funcionários e a maioria nunca sentiram ou sentiram poucas vezes.
            Na figura 3 podemos analisar a frequência dos sintomas dos funcionários para cada setor.

Figura 3:  Com que frequência você sente dores de cabeça?
            Podemos analisar também que existe um funcionário no setor de cola em que sente dores de cabeça muitas vezes e no setor de expedição ás vezes, mas podemos analisar que na grande maioria nunca sente ou poucas vezes.

5.1.   Cálculos e Dados Colhidos da Empresa


            Os dados colhidos são apresentados nos tópicos específicos abaixo.
a) Ruído
            A medição do nível de ruído contínuo ou intermitente foi realizada próximo aos ouvidos dos colaboradores para garantir o mínimo de erro na medição (ABNT NR15, 1978). O ruído elevado é, talvez, o risco profissional mais frequente na indústria, porém nem sempre é considerado com o respeito que merece (OLIVEIRA, 2009).
            Foram-se feitas leituras com o Termo-Higro-Decibelímetro-Luxímetro - modelo HTLD -400, operando no circuito de compensação “A” (a curva de compensação que mais se aproxima à resposta do ouvido humano) e circuito de resposta lenta (slow) em diferentes dias e horários. Na quadro 4 podemos analisar os níveis de ruído no setor de costura.
Ord.
Ruído (dB)
Ord.
Ruído (dB)
1
71,5
8
84,5
2
88
9
95
3
70
10
79,6
4
75,2
11
78,9
5
78,9
12
72,4
6
74,5
13
78,4
7
61,9
14
65,3
Quadro 4: Níveis de ruído no setor de costura
            Foram analisados que no setor de corte, por existir maquinas em que geram ruído e por terem uma quantidade considerável e pelo fator dos operadores terem uma jornada de trabalho de 8 horas diárias podendo causar danos caso os níveis sejam consideráveis. No quadro 5 podemos analisar os níveis de ruído para o setor de corte.
Ord.
Ruído (dB)
Ord.
Ruído (dB)
1
78,6
8
79,2
2
76,5
9
76,5
3
73,9
10
72,4
4
76,4
11
76,6
5
75,4
12
76
6
75,2
13
73,3
7
63,7
14
65,8
Quadro 5: Níveis de ruído no setor de corte
            Constatou-se que o máximo de ruído encontrado no setor de costura tem como valor 76,72dB e no setor de corte 63,60dB. Segundo ABNT NR15 (1978), trabalhos com oito horas diárias têm limite de tolerância fixado em 85 dB. Baseado na mesma norma foi analisado o ruído de impacto, que deveria ser de no máximo 130 dB, porém não se constatou ruído de impacto no setor.
b) Iluminação
            O nível de Iluminação foi avaliado somente no local de trabalho, e no momento exato que os colaboradores desempenhavam suas funções de maneira normal e habitual. As medições dos níveis de iluminação foram executadas no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual (ABNT NBR 5413, 1992). No quadro 2, pode-se constatar que os valores estão dentro dos limites de tolerância exigidos pelas normas no ponto em que cita para ambientes de indústrias de calçados para couros a iluminância deve variar de 750 a 1500 e para materiais de borracha para rolamentos de solas, colagem de revestimentos interno, com montagem e acabamento varia de 300 a 750. A refletância é superior a 70%, pois as paredes da fábrica são brancas, sendo assim temos que o nível de iluminância é a média, ou seja, de 500 Lux.
            Os valores das leituras são apresentados no quadro 7  para o setor de corte.
Ord.
Leitura (lux)
Ord.
Leitura (lux)
1
130
6
192
2
145
7
147
3
187
8
139
4
186
9
170
5
142
10
183
Quadro 7: Valores das leituras obtidas com o decibelímetro no setor de corte
            No quadro 8 são medidas para o setor de costura, como veremos a seguir:
Ord.
Leitura (lux)
Ord.
Leitura (lux)
1
235
6
334
2
240
7
238
3
304
8
302
4
249
9
305
5
289
10
264
Quadro 8: Valores das leituras obtidas com o decibelímetro no setor de costura
            Podemos analisar que a media de lux no setor de corte é de 162 lux e no setor e costura é de 276 lux são necessários 500 lux para o setor de corte e 500 lux para o setor de costura.
c) IBUTG
            Segundo ABNT NR15 (1978), para ambientes internos o IBUTG deve ser igual a 0,7 vezes o valor obtido no termômetro de bulbo úmido natural (tnb), mais 0,3 vezes o valor obtido no termômetro de globo (tb), onde tais medições devem ser efetuadas no local onde permanece o colaborador, à altura da região do corpo mais atingida. Logo:
IBUTG = 0,7 x tbn + 0,3 x tg
            Os valores do tbn e tg foram respectivamente de 25,4°C e 40,8°C, ficando com:
IBUTG = 0,7 x 28,98 + 0,3 x 26,43
            Chegando a um valor de IBUTG de 28,2, que segundo a ABNT NR15 (1978) caracteriza trabalho continuo leve, sem necessidade de descanso.

6.                  Conclusão

            Esta avaliação foi de extrema importância, pois verificou em que situações os trabalhadores se encontram. Os fatores abordados são os mais comuns em que as empresas deixam passar um pouco por despercebido, visto a importância e as consequências que estes podem causar. As empresas precisam saber em quais reais situações estão expondo sua equipe de trabalhadores, para não deixar que os mesmos estejam expostos a situações adversas de desconforto e que possam causar algum tipo de dano a sua saúde.
            Podemos então a partir da análise dos dados apresentados concluírem que:
·                     Os níveis de ruído encontram-se de acordo com a ABNT NR15 (1978) nos pontos avaliados, que esclarecem que os empregados não sofrem com o nível de ruído emitido pelas máquinas bem como ruído de impacto.
·                     A luminosidade para as atividades executadas na empresam encontram-se normais, e não necessitam de adequações.
·                     O fator calor está dentro dos níveis aceitáveis de IBUTG, enquadrando-se numa atividade considerada leve, segundo anexo-3 da Norma Regulamentadora nº 15, da portaria 3214 do MTb, que possibilita o trabalho contínuo, não havendo necessidade de descanso em outra área com temperatura amena.
            As medições serviram para verificar em qual situação a empresa expõe seus funcionários, e constatamos que as condições devem ser mantidas e sempre verificadas para que não fujam dos parâmetros estabelecidos pelas normas, a fim de garantir a saúde do trabalhador bem como a agilidade em todo o processo produtivo, pois o empregado estando em situações confortáveis terá um melhor rendimento e resultados em sua atividade.
  

6.       Referencias

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_______. NBR 10151: Acústica –Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade: procedimento. Rio de Janeiro, 2000.
Areses, P.M.F.M. Percepção do Risco de Exposição Ocupacional ao Ruído. Minho: EEUM, 2002. 7p. Tese de Doutorado.
BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego, Norma Regulamentadora NR-06 Equipamentos de Proteção Individual - EPI. Manual da Editora Atlas, 63ª Edição, São Paulo: Atlas, 2009.
______, Ministério do Trabalho e Emprego, Norma Regulamentadora NR-09 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. Manual da Editora Atlas, 63ª Edição, São Paulo: Atlas, 2009.
______, Ministério do Trabalho e Emprego, Norma Regulamentadora NR-15 Atividades e Operações Insalubres. Manual da Editora Atlas, 63ª Edição, São Paulo: Atlas, 2009
Couto, H. A. Ergonomia aplicada ao trabalho: O manual técnico da máquina humana. Belo Horizonte: Ergo, 1995. 353p.
Fiedler, N.C. Avaliação ergonômica de máquinas utilizadas na colheita de madeira. Viçosa: UFV, 1995. 126p. Dissertação Mestrado
Grandjean, E. Fitting the task to the man – an ergonomic approach. London: Taylor & Francis, 1982. 379p.
IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. 2a edição ver. São Paulo: Edgard Blücher, 2005.
MATTOS, Ubirajara A. O; MÁSCULO, Francisco S; Higiene e Segurança do Trabalho. - Rio de Janeiro: Elsevier: ABEPRO, 2011.
SALIBA, T. M. Curso básico de segurança e saúde ocupacional. São Paulo: LTr. 2004. 453 p.
SOUZA, Selene. M. A. GUELLI U. Apostila do Curso de Engenharia de Segurança do Trabalho - Sobrecarga Térmica e Temperaturas Baixas. Universidade Federal de Santa Catarina: Florianópolis, 2003.
TLC - The Learning Company (1998) Noise, Compton’s Encyclopedia Online v3.0, Learning company Inc., disponível em .
RODRIGUES, Pierre. Manual de iluminação eficiente. 1ed. PROCEL, 2002. Acesso em 03 jun. de 2013. Disponível em: http://www.cqgp.sp.gov.br/gt.../procel%20predio_pub_manual_iluminacao.pdf

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